Desde sua ida à Roma, para la especializar-se em direito Canônico, Padre Agnaldo Temóteo da Silveira regressa em suas férias à Santana, terra que tem como sua, uma vez que foi sua primeira paróquia de fato e de direito e onde tem númerosos irmãos e amigos na fé.
Neste ano tivemos a graça de ter nosso fundador visitando o Memorial da Paróquia de Senhora Santana,a exemplo do bom Senhor da Vinha que volta para ver a árvore que cultivara e os frutos que tem produzido para o bem comum.
Sua visita foi momento onde saciou a sede de uma saudade que, lá nas terras da cidade eterna, ardia-lhe no coração e um momento de reavivar a memória de uma terra que tem como segunda casa (uma vez que é um Belacruzense patriota).
Durante sua visita pode ver, constando na galeria dos Párocos, o retrato do padre Theótime, conheceu a réplica que fizemos do retrato do Senador João Cordeiro e algumas peças novas que o meorial recebeu como generosas doações.
Sugeriu que nos empenhássemos em adquirir novas peças embora nosso espaço ainda não fosse suficiente para o volume destas e que levássemos adiante o intento de aproximar as esolas do município do Memorial.
Ao reverendo Padre, nossa filial gratidão, o desejo de um breve retorno á casa e o pedido de orações para que Deus nos abençoe em nossa árdua tarefa de resgatar, preservar e manter viva nossa história.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
SOBRE UM MOVIMENTO PELA PRESERVAÇÃO
De onde virá o desejo que o ser humano tem de ver perpetuada sua memória? O que explica o desejo que este ser tem de conhecer suas raízes e sua identidade?
Em minha filosofia livre de normas acadêmicas acredito que a resposta está natureza mais profunda do ser humano: o amor no seu mais amplo sentido!
Contudo, neste cismar filosófico, cabe uma pergunta: hoje em dia não estará este desejo sendo apagado e calado? Haverá espaço no sistema capitalista para uma identidade que não seja aquela do consumismo?
Tal cismar nasceu em nosso coração quando recebemos nos meses de Junho e de Julho as visitas de ilustres filhos da Cidade do Acaraú e de uma filha ilustre de Morrinhos.Estas pessoas foram para mim o sinal de um fenômeno que passa despercebido aos olhos da grande massa mecanizada, ocupada em fazer girar a grande roda do produzir - consumir - produzir - consumir.... até que a morte chegue!
Na Zona Norte do Vale do Acaraú encontramos pessoas muito preocupadas com a preservação da memória e da História de seu povo e cidades que abriram Memoriais com este fim e até a publicação de livros que contam a história das cidades.
A primeira visita que recebi foi do Senhor Totó Rios, um acarauense apaixonado pela história de sua cidade e que tem um projeto de criar um memorial Virtual para contar a história das cidades do médio e do baixo vales do Acaraú através de fotos.
Em Julho recebemos a visita de Dona Guilhermina Braga, incumbida pelo pároco de Morrinhos Padre Jacó Sindharta de conseguir conosco uma cópia da foto do Reverendo Padre Arakén da Frota para fazer parte de uma galeria que estará em Memorial que a Paróquia pretende abrir.
Também nos deram o prazer de sua visita Maria Iranir Araújo, Acarauense conhecedora de suas raízes e de sua história.Soubemos por ela da situação de perseguição e incompreensão que sofre o pioneiro, nesta nossa região do médio e do baixo Acaraú na criação de espaço para a preservação da Memória: O Senhor José de Fátima. Segundo os mesmos muitas das peças colecionadas por este senhor ao longo de muitos anos foram roubadas ou extraviadas uma vez que estavam em espaço aberto pela Prefeitura de Itarema que pouco ou quase nunca cuida de tal espaço!
Em passagem por Bela Cruz anos atrás, vimos na fachada de um Casarão antigo uma placa que indicava que ali também havia um Memorial. Esperamos o mesmo abrir em seu turno da tarde contudo isto não ocorreu, fato que nos frustou a expectativa de conhecê-lo!
No ano passado fomos presenteados com a Publicação do Livro: Morrinhos sua história e sua gente do casal João Leonardo Silveira e Maria Luzia Rocha Silveira. O livro, de linguagem bem acessível, conta a história de Morrinhos desde seus remotos primórdios!
Tais exemplos nos mostram uma verdade: apeasar de envoltos ainda em espeesa névoa de desconhecimento de sua história os cidadãos da parte baixa do Acaraú querem conhecer suas raízes e a região mostra ter um grande potencial para o turismo histórico e Arquitetônico.
Acredito que tal fenômeno ganhará mais força se os autores das iniciativas que citamos unirem-se em torno deste ideal comum: o conhecimento da memória e da história como caminho de crescimento da autonomia e da cidadania.
Em minha filosofia livre de normas acadêmicas acredito que a resposta está natureza mais profunda do ser humano: o amor no seu mais amplo sentido!
Contudo, neste cismar filosófico, cabe uma pergunta: hoje em dia não estará este desejo sendo apagado e calado? Haverá espaço no sistema capitalista para uma identidade que não seja aquela do consumismo?
Tal cismar nasceu em nosso coração quando recebemos nos meses de Junho e de Julho as visitas de ilustres filhos da Cidade do Acaraú e de uma filha ilustre de Morrinhos.Estas pessoas foram para mim o sinal de um fenômeno que passa despercebido aos olhos da grande massa mecanizada, ocupada em fazer girar a grande roda do produzir - consumir - produzir - consumir.... até que a morte chegue!
Na Zona Norte do Vale do Acaraú encontramos pessoas muito preocupadas com a preservação da memória e da História de seu povo e cidades que abriram Memoriais com este fim e até a publicação de livros que contam a história das cidades.
A primeira visita que recebi foi do Senhor Totó Rios, um acarauense apaixonado pela história de sua cidade e que tem um projeto de criar um memorial Virtual para contar a história das cidades do médio e do baixo vales do Acaraú através de fotos.
Em Julho recebemos a visita de Dona Guilhermina Braga, incumbida pelo pároco de Morrinhos Padre Jacó Sindharta de conseguir conosco uma cópia da foto do Reverendo Padre Arakén da Frota para fazer parte de uma galeria que estará em Memorial que a Paróquia pretende abrir.
Também nos deram o prazer de sua visita Maria Iranir Araújo, Acarauense conhecedora de suas raízes e de sua história.Soubemos por ela da situação de perseguição e incompreensão que sofre o pioneiro, nesta nossa região do médio e do baixo Acaraú na criação de espaço para a preservação da Memória: O Senhor José de Fátima. Segundo os mesmos muitas das peças colecionadas por este senhor ao longo de muitos anos foram roubadas ou extraviadas uma vez que estavam em espaço aberto pela Prefeitura de Itarema que pouco ou quase nunca cuida de tal espaço!
Em passagem por Bela Cruz anos atrás, vimos na fachada de um Casarão antigo uma placa que indicava que ali também havia um Memorial. Esperamos o mesmo abrir em seu turno da tarde contudo isto não ocorreu, fato que nos frustou a expectativa de conhecê-lo!
No ano passado fomos presenteados com a Publicação do Livro: Morrinhos sua história e sua gente do casal João Leonardo Silveira e Maria Luzia Rocha Silveira. O livro, de linguagem bem acessível, conta a história de Morrinhos desde seus remotos primórdios!
Tais exemplos nos mostram uma verdade: apeasar de envoltos ainda em espeesa névoa de desconhecimento de sua história os cidadãos da parte baixa do Acaraú querem conhecer suas raízes e a região mostra ter um grande potencial para o turismo histórico e Arquitetônico.
Acredito que tal fenômeno ganhará mais força se os autores das iniciativas que citamos unirem-se em torno deste ideal comum: o conhecimento da memória e da história como caminho de crescimento da autonomia e da cidadania.
sábado, 10 de julho de 2010
UM TAL JOÃO CORDEIRO
Andando pelas ruas de Santana, observando seus silenciosos monumentos desprezados, as placas de ruas e os paralelepípedos da João Cordeiro, algumas questões me surgiram: porque Santana tem nomes de ruas de pessoas tão desconhecidas hoje para os santanenses? Porque estes ilustres são tão desconhecidos para as novas gerações?
Calei estas indagações em mim como quem cala o tolo que faz perguntas vãs e incovenientes e segui meu caminho rumo à casa de minha avó que mora na Avenida São João (o mais conhecido dos ilustres com nome de rua).
Contudo, o mencionado pensamento, "em forma de menino incoveniente, insistente e teimoso" me trouxe à memória, como argumento para não desistir da curiosidade de conhecer os ilustres homenageados com nome de rua, o trecho de uma conversa que tive com uma das descendentes de João Cordeiro, que me contou os tantos benefícios que realizara o ancestral.
Persuadido por tão forte argumento fiquei curioso por saber mais sobre este ilustre desconhecido. Pus-me então a caminho.
Primeiro naveguei pela Internet e, no site do Instituto Histórico, Antropológico e Geográfico do Ceará encontrei um artigo que é a transcrição da auto - biografia de João Cordeiro, um dos maiores abolicionistas do Brasil.
Os primeiros parágrafos de sua auto-biografia foram para mim uma grande surpresa:
"Nasceu em 31 de Agosto de 1842, na cidade de Sant'Anna do Acaraú. Filho legítimo de João de Castro Cordeiro e Floriana Angélica da Vera Cruz Cordeiro."
"Nos primeiros annos de sua vida fez o que fazem todos os meninos pobres do sertão.Tomava banho nos rios, andava montado nos carneiros e nos bezerros,corria a cavalo e ia ao roçado buscar milho, feijão e melancias."
"Assim viveu até 11 annos, idade em que foi para uma escola de primeiras letras que frequentou até doze annos."
"Com 13 annos incompletos foi para a cidade de Acaraú, empregado como caixeiro de seu parente Major Francisco Ferreira. (...)"1
O João Cordeiro que eu conhecera de maneira tão indiferente em minhas aulas de história no ensino médio, quando o professor tratava da abolição dos escravos,nasceu em Santana e aqui viveu até os treze quando dela partiu para iniciar sua honrosa carreira de comerciante, político e industrial.
Padre Sadoc, no segundo volume de sua Cronologia Sobralense, afirma que os pais de João Cordeiro casaram-se em 18 de agosto de 1828, indo morar em Santana onde nasceu o Senador João Cordeiro.2
Antônio Bezerra, em seu livro: Notas de Viagem, ao contar o relato de sua passagem por Santana,faz uma referência ao Pai de João Cordeiro:
"Na manhã do dia 10, tendo agradecido ao Sr. Nascimento a generosa hospedagem que me emprestara, abracei o respeitável ancião, pai do cidadão João Cordeiro, o herói do movimento abolicionista, e tornei a Massapê".3
O trecho deste livro nos mostra que os pais de João Cordeiro moraram na sede da cidade e que uma casa histórica importante deve ter sido apagada do mapa arquitetônico da cidade pela louca sanha da modernidade ( ou seria merdonidade?) sem deixar sombra ou lembrança de sua história.
Conhecida a história, ficou em mim o desejo de conhecer o vulto.
A providência veio em meu auxílio quando, visitando o Museu do Ceará, encontrei em uma exposição o retrato do Senador João Cordeiro tendo abaixo uma breve biografia que fazia menção ao seu nascimento em Santana do Acaraú.
Sem nenhum pudor, "saquei" a minha câmera digital e fotografei o retrato do Senador. Graças a esta cópia "proibida" temos hoje no Memorial da Paróquia uma singela reprodução do retrato deste filho ilustre que será agora conhecido, fazendo com que o santanense descubra em sua história motivo de orgulho!
O caminho de descoberta que fiz sobre a vida do Senador João Cordeiro me fez concluir que quando a história se faz mais próxima de quem a estuda ela se torna prazeirosa, fonte de inspiração, de crescimento da auto - estima dos indivíduos e da estima de que um povo tem de si.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1 Apontamentos biográficos de João Cordeiro escritos por ele próprio, Revista do Instituto do Ceará, 1945, disponível em www.institutodoceara.org
2 Araújo, Pe.Francisco Sadoc de; Cronologia Sobralense, Volume II, pág. 200, Imprensa Universitária, Sobral - Ce.
3 Bezerra, Antônio; Notas de Viagem, pág.75
Calei estas indagações em mim como quem cala o tolo que faz perguntas vãs e incovenientes e segui meu caminho rumo à casa de minha avó que mora na Avenida São João (o mais conhecido dos ilustres com nome de rua).
Contudo, o mencionado pensamento, "em forma de menino incoveniente, insistente e teimoso" me trouxe à memória, como argumento para não desistir da curiosidade de conhecer os ilustres homenageados com nome de rua, o trecho de uma conversa que tive com uma das descendentes de João Cordeiro, que me contou os tantos benefícios que realizara o ancestral.
Persuadido por tão forte argumento fiquei curioso por saber mais sobre este ilustre desconhecido. Pus-me então a caminho.
Primeiro naveguei pela Internet e, no site do Instituto Histórico, Antropológico e Geográfico do Ceará encontrei um artigo que é a transcrição da auto - biografia de João Cordeiro, um dos maiores abolicionistas do Brasil.
Os primeiros parágrafos de sua auto-biografia foram para mim uma grande surpresa:
"Nasceu em 31 de Agosto de 1842, na cidade de Sant'Anna do Acaraú. Filho legítimo de João de Castro Cordeiro e Floriana Angélica da Vera Cruz Cordeiro."
"Nos primeiros annos de sua vida fez o que fazem todos os meninos pobres do sertão.Tomava banho nos rios, andava montado nos carneiros e nos bezerros,corria a cavalo e ia ao roçado buscar milho, feijão e melancias."
"Assim viveu até 11 annos, idade em que foi para uma escola de primeiras letras que frequentou até doze annos."
"Com 13 annos incompletos foi para a cidade de Acaraú, empregado como caixeiro de seu parente Major Francisco Ferreira. (...)"1
O João Cordeiro que eu conhecera de maneira tão indiferente em minhas aulas de história no ensino médio, quando o professor tratava da abolição dos escravos,nasceu em Santana e aqui viveu até os treze quando dela partiu para iniciar sua honrosa carreira de comerciante, político e industrial.
Padre Sadoc, no segundo volume de sua Cronologia Sobralense, afirma que os pais de João Cordeiro casaram-se em 18 de agosto de 1828, indo morar em Santana onde nasceu o Senador João Cordeiro.2
Antônio Bezerra, em seu livro: Notas de Viagem, ao contar o relato de sua passagem por Santana,faz uma referência ao Pai de João Cordeiro:
"Na manhã do dia 10, tendo agradecido ao Sr. Nascimento a generosa hospedagem que me emprestara, abracei o respeitável ancião, pai do cidadão João Cordeiro, o herói do movimento abolicionista, e tornei a Massapê".3
O trecho deste livro nos mostra que os pais de João Cordeiro moraram na sede da cidade e que uma casa histórica importante deve ter sido apagada do mapa arquitetônico da cidade pela louca sanha da modernidade ( ou seria merdonidade?) sem deixar sombra ou lembrança de sua história.
Conhecida a história, ficou em mim o desejo de conhecer o vulto.
A providência veio em meu auxílio quando, visitando o Museu do Ceará, encontrei em uma exposição o retrato do Senador João Cordeiro tendo abaixo uma breve biografia que fazia menção ao seu nascimento em Santana do Acaraú.
Sem nenhum pudor, "saquei" a minha câmera digital e fotografei o retrato do Senador. Graças a esta cópia "proibida" temos hoje no Memorial da Paróquia uma singela reprodução do retrato deste filho ilustre que será agora conhecido, fazendo com que o santanense descubra em sua história motivo de orgulho!
O caminho de descoberta que fiz sobre a vida do Senador João Cordeiro me fez concluir que quando a história se faz mais próxima de quem a estuda ela se torna prazeirosa, fonte de inspiração, de crescimento da auto - estima dos indivíduos e da estima de que um povo tem de si.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1 Apontamentos biográficos de João Cordeiro escritos por ele próprio, Revista do Instituto do Ceará, 1945, disponível em www.institutodoceara.org
2 Araújo, Pe.Francisco Sadoc de; Cronologia Sobralense, Volume II, pág. 200, Imprensa Universitária, Sobral - Ce.
3 Bezerra, Antônio; Notas de Viagem, pág.75
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Salve, maestro!
MAESTRO JOSÉ ATAÍDE
Tarde quente de seca verde!
Caminhando pela rua Dr José Mendes deparo-me com a impassível figura do maestro José Ataíde com seus braços apoiados no baixo muro da entrada de sua casa observando como uma sábia esfinge os transeuntes. Recordo-me da recomendação que me fizera o Senhor Sebastião Azevedo(sucessor de gerações de homens que tocaram o sino da Matriz de Santana do Acaraú):"o maestro tem uma doação a fazer para o memorial de um livro de cifras que era utilizado pelo coro da Igreja na missa de antigamente"!
A lembrança me fez parar bem defronte à figura sábia que observava o vai e vem da rua e saudá-lo com uma boa tarde que prontamente, numa voz firme e grave, me foi respondido com um: "viva"!
Apresentei-me, disse a que vinha e a figura austera do maestro que tinha comigo desde criança (figura ao mesmo tempo austera e admirável) foi mostrando outra facetas e nuances que poucos têm paciência de captar: a de um homem de um senso de humor ácido, porém inteligente, de raciocínio rápido e apreciador da boa música.
Pouco a pouco, como acontece com toda imortal alma humana que deseja eternizar-se no transitório tempo material, foi contando a mim e a um dos músicos da banda Padre Arakén suas memórias de missas tocadas em época anterior ao Concílio Vaticano II, mostrando-me o livro de Cifras de que me falara o Senhor Sebastião Azevedo.
O livro, cujo título é a Harpa de Sião, seria só mais um impresso de uma gráfica do sul do país se os dedos que lhes perpassaram as páginas não as tivessem carregado de memórias naquela tarde quente.
Cada título de música, cada nota escrita naquelas pautas me eram apresentadas com um discorrer vivo de histórias que ainda faziam os olhos do Maestro encher-se de brilho e minha imaginação dar contornos a fatos que eu não vivi.
Fui ainda premiado com uma visita a um memorial particular do maestro quando o mesmo convidou-me a adentrar sua casa. Na sala da mesma, fotos em simples murais de isopor ou emolduradas de maneira singela contavam a trajectória do músico que foi testemunha de histórias de diversas fases da Banda Padre Arakén(uma das mais antigas do ceará, quase bicentenária) e que tornou-se um dos baluartes desta história.
Em um dos murais havia uma frase - tema que me fez pensar sobre o papel dos guardiões de nossa memória:"Rei deposto, rei morto"!

Tarde quente de seca verde!
Caminhando pela rua Dr José Mendes deparo-me com a impassível figura do maestro José Ataíde com seus braços apoiados no baixo muro da entrada de sua casa observando como uma sábia esfinge os transeuntes. Recordo-me da recomendação que me fizera o Senhor Sebastião Azevedo(sucessor de gerações de homens que tocaram o sino da Matriz de Santana do Acaraú):"o maestro tem uma doação a fazer para o memorial de um livro de cifras que era utilizado pelo coro da Igreja na missa de antigamente"!
A lembrança me fez parar bem defronte à figura sábia que observava o vai e vem da rua e saudá-lo com uma boa tarde que prontamente, numa voz firme e grave, me foi respondido com um: "viva"!
Apresentei-me, disse a que vinha e a figura austera do maestro que tinha comigo desde criança (figura ao mesmo tempo austera e admirável) foi mostrando outra facetas e nuances que poucos têm paciência de captar: a de um homem de um senso de humor ácido, porém inteligente, de raciocínio rápido e apreciador da boa música.
Pouco a pouco, como acontece com toda imortal alma humana que deseja eternizar-se no transitório tempo material, foi contando a mim e a um dos músicos da banda Padre Arakén suas memórias de missas tocadas em época anterior ao Concílio Vaticano II, mostrando-me o livro de Cifras de que me falara o Senhor Sebastião Azevedo.
O livro, cujo título é a Harpa de Sião, seria só mais um impresso de uma gráfica do sul do país se os dedos que lhes perpassaram as páginas não as tivessem carregado de memórias naquela tarde quente.
Cada título de música, cada nota escrita naquelas pautas me eram apresentadas com um discorrer vivo de histórias que ainda faziam os olhos do Maestro encher-se de brilho e minha imaginação dar contornos a fatos que eu não vivi.
Fui ainda premiado com uma visita a um memorial particular do maestro quando o mesmo convidou-me a adentrar sua casa. Na sala da mesma, fotos em simples murais de isopor ou emolduradas de maneira singela contavam a trajectória do músico que foi testemunha de histórias de diversas fases da Banda Padre Arakén(uma das mais antigas do ceará, quase bicentenária) e que tornou-se um dos baluartes desta história.
Em um dos murais havia uma frase - tema que me fez pensar sobre o papel dos guardiões de nossa memória:"Rei deposto, rei morto"!
O sistema Capitalista, cheio de histórias vazias que cavalgam na velocidade da Internet despreza as histórias dos mais velhos. Se as ouvíssemos e guardássemos seríamos seres realmente éticos, com senso crítico e portadores de uma identidade que facilmente distinguiríamos de outras.
Comovido, copiei com minha câmara digital as fotos daquele memorial particular que em breve farão parte do acervo de fotos do memorial da paróquia de Senhora Sant'Anna acompanhadas de suas respectivas histórias a serem contadas às novas gerações.
terça-feira, 15 de junho de 2010
"SAUDOSA MALOCA, MALOCA QUERIDA.."
Santana do Acaraú, berço de ilustres homens, nascida de uma promessa à santa Ana, sonhada como berço pelos indivíduos que, por primeiro se instalaram nos arredores da Capelinha que deu origem à Matriz, para suas futuras gerações; está assistindo a uma rápida devastação do patrimônio arquitetônico que poderia contar a história da evolução da "pólis" santanense.
Onde está o Palacete de bronze, primeira câmara de vereadores? Onde está o Casario da rua João Cordeiro, hoje só conhecido a muito custo nas fotos da década de 30 do século passado? Que foi feito do Pavilhão do Congresso de 1948? Onde está a Casa de Caridade construida pelo venerável Padre Ibiapina? etc e etc...
Estamos "saindo lá pra fora pra apreciar a demolição" do que ainda resta e alguns de nós não estamos conformados.
Parabenizamos a iniciativa da Paróquia que a anos atrás reformou o sobrado Padre Arakén e a casa Paroquial (ainda que modificando seus interiores e restaurando suas fachadas), e restaurou a Matriz.
Louvamos a iniciativa da família Alves que restaurou a Casa de seus patriarcas: O Solar dos Alves.
Somos felizes pela iniciativa de Audifax Rios que, reformando o Antigo Salão paroquial e Cartório de seu pai, trouxe para aquela casa elementos arquitetônicos que os santanenses eliminaram ao longo do tempo como gesto de um passo para a "modernidade"!
Gratos às Reiligiosas Filhas de Sant'Ana que, embora fazendo uma reforma interna muito preservaram do casarão que ainda hoje abriga o patronato Santana.
Igual menção honrosa mrecem a família Lopes e tanta outras que restauraram e preservam as fachadas e/ou interiores originais de suas casas.
Nos perguntamos: que futuro terá a casa mais velha da Cidade: o sobrado localizado na Avenida São João, apelidado de Jaburu e cenário de cenas do Filme "o Guerreiro Alumioso" de Rosemberg Cariri? Como será feita a reforma da Cadeia pública, prédio do século XIX? Como será feita a reforma do Mercado público, também da mesma época?
Quem terá culpa nesta história? Quem terá razão? A meu ver todos nós e ao mesmo tempo ninguém! Para que o patrimônio já apagado tivesse sido preservado, teria sido necessário, iniciar anos atrás, um movimento de educação para a conservação. Só conservamos o que conhecemos e apreciamos!
Este movimento de educação precisa ser iniciado com urgência e, se o fizermos, já estaremos fazendo tarde ( melhor do que nunca!) para preservarmos o que ainda resta!
Não se trata de um saudosismo vão, nem de um pensamento retrógrado ou anacrônico, mas de uma busca ou resgate de uma identidade que passa pela cultura material, meio pelo qual os elementos da identidade são comunicados.
Fomos informados que em setembro a Lei orgânica do Município será reformulada. Este é o momento de contemplar os patrimônios Material e imaterial de Santana, de garantir às futuras gerações um arcabouço legal para a preservação de sua identidade!
Se tal movimento não começar e for levado adiante correremos o risco de cantar aquele refrão dorido, saudoso e cheio de remorso: "saudosa maloca, maloca querida onde juntos nós passemos os melhores dias de nossas vidas"!
sábado, 8 de maio de 2010
DOUTORA MARCÉLIA MARQUES VISITA INSCRIÇÕES RUPESTRES DO SERROTE DAS ROLAS EM SANTANA DO ACARAÚ
O Memorial da Paróquia de Senhora Santana, que tem como um de seus objetivos a preservação da cultura material do município de Santana do Acaraú, recebeu nos dias 31 de abril e dia 1º de Maio a visita da Professora Doutora Marcélia Marques da Universidade Estadual do Ceará (UECE)arqueóloga, já com larga experiência no estudo de inscrições rupestres e cultura material.
No dia 31,a mesma conheceu o acervo do Memorial e deu sugestões de projetos e ações para a melhoria do desempenho do mesmo. Ressaltou a forte impressão do espírito de religiosidade de nosso povo que lhe ficou oa visitar o espaço.
Já no dia 1º visitou as inscrições rupestres do Serrote das Rolas realizando um primeiro trabalho de prospecção (registro fotográfico do sítio como um todo, descrição das inscrições rueptres, medição do tamanho do painel que contém as inscrições e análise de uma possível história do sítio arqueológico), avaliando o potencial da existência de outros possíveis sítios arqueológicos.
PROFESSORA MARCÉLIA MARQUES EM PROSPECÇÃO NO SERROTE DA ROLA SANTANA DO ACARAÚ - CE
ARÁ
No dia 31,a mesma conheceu o acervo do Memorial e deu sugestões de projetos e ações para a melhoria do desempenho do mesmo. Ressaltou a forte impressão do espírito de religiosidade de nosso povo que lhe ficou oa visitar o espaço.
Já no dia 1º visitou as inscrições rupestres do Serrote das Rolas realizando um primeiro trabalho de prospecção (registro fotográfico do sítio como um todo, descrição das inscrições rueptres, medição do tamanho do painel que contém as inscrições e análise de uma possível história do sítio arqueológico), avaliando o potencial da existência de outros possíveis sítios arqueológicos.
PROFESSORA MARCÉLIA MARQUES EM PROSPECÇÃO NO SERROTE DA ROLA SANTANA DO ACARAÚ - CE
ARÁ
domingo, 2 de maio de 2010
DA IDÉIA DE UM MEMORIAL À ABERTURA
Logo que chegou à paróquia de Santana do Acaraú no ano de 2006, o reverendo padre Agnaldo Temóteo da Silveira (décimo sexto pároco na sucessão) buscou conhecer a história da cidade. Assim o fez porque aprendeu que uma evangelização eficaz se faz a partir e na realidade de um povo.
Ficou maravilhado com a história de Santana que nasceu de uma promessa de Frei Cristóvão de Lisboa a Santa Ana em gratidão aos favores concedidos na fuga dos índios Tabajara e com a coragem do padre Antônio dos Santos da Silveira, construtor da primitiva capelinha de taipa e fundador de fato da cidade que nasceu ao redor da capela mãe.
Surpreso ficou com desconhecimento do povo a respeito desta história e de suas raízes. Percebeu nisso um desafio e uma missão: levar o povo a conhecer a sua história é fazer memória da salvação, pois, Cristo Senhor da história entrou na história humana para resgatá-la.
Boa parte deste conhecimento o adquiriu nas conversas prazerosas com dona Rosa Eronides Pereira (Rosa Ramiro) ex - secretária paroquial que, nesta função, passou largo tempo. Outra parte desta aquisição se deu através da leitura do livro O Município de Santana de autoria do célebre doutor José Mendes, outra ilustre figura de Santana que, conheceu, lendo aquelas linhas cheias de uma memória filial, romanesca, porém viva.
Tomou conhecimento também das histórias de desvio do patrimônio sacro (imagens, alfaias, mobília, etc.) da Paróquia ocorrido nas décadas de 60 e 80, e percebeu a urgência de preservar o que restara e a urgência de fazer um apelo para que aqueles que tinham consigo estas peças sacras as devolvessem.
Quando chegou a Santana, ocupava a função de Pároco o Padre José Valter da Costa que empreendeu a reforma do Sobrado Padre Arakén com o intuito de que o mesmo servisse a ambos como casa uma vez que moravam em casa alugada porque na Paroquial morava enfermo o Pároco Emérito Francisco José Aragão e Silva.
Falecendo o Padre Aragão, Padre Agnaldo e Padre Valter passaram a morar na casa Paroquial, ficando o sobrado com a função de Centro de Pastoral. Contudo nem todos os espaços foram ocupados e a providência logo manifestaria sua intervenção para concretizar uma inspiração que surgia no coração de padre Agnaldo: a fundação de um Memorial.
Assim, em Junho de 2006, Padre Agnaldo convida Francisco Leandro Costa que, na época realizava uma pesquisa sobre índios na história de Santana, para juntos darem os primeiros passos para a fundação deste sonhado Memorial. O primeiro deles foi uma pesquisa sobre a vida de cada um dos Párocos de Santana do Acaraú. Esta resultou em um livreto que foi distribuído na inauguração. O segundo passo foi solicitar de Santanenses que estivessem em posse de objetos sacros da Paróquia sua devolução e incentivar a doação de peças antigas para a composição do acervo por aqueles que o quisessem fazê-lo.
O Fruto desta semeadura laboriosa foi a abertura do Memorial da Paróquia de Senhora Sant’Anna em 16 de Julho de 2007 em cerimônia simples, iniciada às 8 horas da Manhã com a benção das peças e com as palavras inaugurais do fundador que, nestas, exortou os santanenses a preservarem sua história, a guardarem sua memória e colaborar doando peças para enriquecer o acervo ainda mais.
Ficou maravilhado com a história de Santana que nasceu de uma promessa de Frei Cristóvão de Lisboa a Santa Ana em gratidão aos favores concedidos na fuga dos índios Tabajara e com a coragem do padre Antônio dos Santos da Silveira, construtor da primitiva capelinha de taipa e fundador de fato da cidade que nasceu ao redor da capela mãe.
Surpreso ficou com desconhecimento do povo a respeito desta história e de suas raízes. Percebeu nisso um desafio e uma missão: levar o povo a conhecer a sua história é fazer memória da salvação, pois, Cristo Senhor da história entrou na história humana para resgatá-la.
Boa parte deste conhecimento o adquiriu nas conversas prazerosas com dona Rosa Eronides Pereira (Rosa Ramiro) ex - secretária paroquial que, nesta função, passou largo tempo. Outra parte desta aquisição se deu através da leitura do livro O Município de Santana de autoria do célebre doutor José Mendes, outra ilustre figura de Santana que, conheceu, lendo aquelas linhas cheias de uma memória filial, romanesca, porém viva.
Tomou conhecimento também das histórias de desvio do patrimônio sacro (imagens, alfaias, mobília, etc.) da Paróquia ocorrido nas décadas de 60 e 80, e percebeu a urgência de preservar o que restara e a urgência de fazer um apelo para que aqueles que tinham consigo estas peças sacras as devolvessem.
Quando chegou a Santana, ocupava a função de Pároco o Padre José Valter da Costa que empreendeu a reforma do Sobrado Padre Arakén com o intuito de que o mesmo servisse a ambos como casa uma vez que moravam em casa alugada porque na Paroquial morava enfermo o Pároco Emérito Francisco José Aragão e Silva.
Falecendo o Padre Aragão, Padre Agnaldo e Padre Valter passaram a morar na casa Paroquial, ficando o sobrado com a função de Centro de Pastoral. Contudo nem todos os espaços foram ocupados e a providência logo manifestaria sua intervenção para concretizar uma inspiração que surgia no coração de padre Agnaldo: a fundação de um Memorial.
Assim, em Junho de 2006, Padre Agnaldo convida Francisco Leandro Costa que, na época realizava uma pesquisa sobre índios na história de Santana, para juntos darem os primeiros passos para a fundação deste sonhado Memorial. O primeiro deles foi uma pesquisa sobre a vida de cada um dos Párocos de Santana do Acaraú. Esta resultou em um livreto que foi distribuído na inauguração. O segundo passo foi solicitar de Santanenses que estivessem em posse de objetos sacros da Paróquia sua devolução e incentivar a doação de peças antigas para a composição do acervo por aqueles que o quisessem fazê-lo.
O Fruto desta semeadura laboriosa foi a abertura do Memorial da Paróquia de Senhora Sant’Anna em 16 de Julho de 2007 em cerimônia simples, iniciada às 8 horas da Manhã com a benção das peças e com as palavras inaugurais do fundador que, nestas, exortou os santanenses a preservarem sua história, a guardarem sua memória e colaborar doando peças para enriquecer o acervo ainda mais.
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