CAROS AMIGOS QUE ACESSAM ESTE BLOG
AS OBRAS QUE ESTÃO DESCARACTERIZANDO A CADEIA PÚBLICA DE SANTANA DO ACARAÚ,EDIFÍCIO HISTÓRICO DO QUAL JÁ FALAMOS EM ARTIGO ANTERIOR, CONTINUAM.
EMBORA SABENDO QUE CERTAS OBRAS SÃO NECESSÁRIAS PARA QUE OS DETENTOS NÃO VIVAM EM CONDIÇÕES DESUMANAS NAQUELE LUGAR, NÃO CONCORDAMOS COM A DESCARACTERIZAÇÃO E COM A POSTURA AUTORITÁRIA DO GOVERNO DO ESTADO QUE NÃO LEVOU EM CONSIDERAÇÃO O ASPECTO HISTÓRICO DO EDIFÍCIO.
POR ESTA RAZÃO ESTOU CONVOCANDO A TODOS QUE LEREM ESTE ARTIGO A ACESSAR O SITE DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ E PROTOCOLAR UMA RECLAMAÇÃO NO SERVIÇO DE OUVIDORIA ON -LINE:http://sou.cge.ce.gov.br/publico/Inicial.aspx
ACREDITAMOS QUE UM NÚMERO GRANDE DE RECLAMAÇÕES PODERÁ CHAMAR ATENÇÃO DA SECULT E DAS SECRETARIAS ENVOLVIDAS NA OBRA.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
INSCRIÇÕES RUPESTRES DO SERROTE DA ROLA - SANTANA DO ACARAÚ - CE
Em 1893, João Franklin de Alencar Nogueira, membro do Instituto Histórico e Geografico Brasileiro(IHGB), publicou em artigo da revista do referido instituto o relato de uma visita feita ao sítio do Serrote da Rola, em Santana do Acaraú onde existem ainda hoje inscrições rupestres.
Conversando com os moradores do lugar, ouviu relatos de que no referido Serrote existiam muitos locais com inscrições rupestres. Contudo,só foi possível a João Franklin visitar as que ficam em uma gruta que os nativos da época chamavam de Casa de Pedra.
Ao lugar, hoje conhecido como pedra do letreiro,chega-se por um caminho que, embora de acesso relativamente fácil, oferece a quem o visita uma prova a resistência física e ao fôlego.
As inscrições rupestres deste sítio estão em um paredão no qual está encravada uma pedra com formato semelhante a torre de uma igreja ou ao telhado de certas casas, com um formato triangular,de laterais que são duas escadas naturais de pedra, utlizadas inclusive pelos autores das inscrições para realizar as "pinturas" situadas no topo do paredão.
Este paredão é protegido das chuvas e da incidência direta do sol por uma marquise natural: uma dobra do próprio paredão sobre si mesmo em seu cume.
Estas carcterísticas levaram os habitantes do serrote na época a batizar o local de casa de pedra.
Embora a existência de outras inscrições tenha sido citada no texto de João Franklin, ainda hoje não se conhece outro local do Serrote da Rola que tenha inscrições rupestres.CAMINHO QUE DÁ ACESSO AS INSCRIÇÕES RUPESTRES DO SERROTA DA ROLA, SANTANA DO ACARAÚ - CE
CAMINHO QUE DÁ ACESSO AS INSCRIÇÕES RUPESTRES DO SERROTA DA ROLA, SANTANA DO ACARAÚ - CE
No dia 1º de abril de 2010, o sítio das inscrições rupestres do serrote da Rola recebeu a visita de prospecção da Doutora em Arqueologia Marcélia Marques (UECE).
A mesma constatou,às primeiras observações do local, que as inscrições sofrem degradação por fortes intemperismos físicos, químicos e biológicos,e pelas inúmeras pichações já presentes no local.
Observou também que o padrão das inscrições é muito semelhante ao de inscrições que estudou no Cariri, sobretudo os carimbos de mão e os traços feitos na parede com o deslizar das pontas dos dedos tingidos. Tal fato foi também observado anos antes por João franklin em 1893.
Uma parte ainda não inundada do açude Carnaúbas é outro lugar de Santana do acaraú onde existem inscrições rupestres. Contudo, o sítio ainda precisa ser melhor explorado para que possamos fornecer maiores dados a respeito delas.
Tanto as inscrições do Serrote da Rola quanto as do Açude Carnaúbas, necessitam de urgente atenção das autoridades do IPHAN.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A CADEIA PÚBLICA DE SANTANA DO ACARAÚ
Construída possivelmente na época em que era presidente da Provícia do Ceará José Júlio de Albuquerque Barros( o 41º da província), a cadeia pública de Santana do Acaraú é o exemplo clássico de um prédio público que vai sendo adaptado ás necessidades de cada época, não sem muitos desafios.
Passando atualmente por uma reforma que está em fase de acabamento, cremos que está sendo restaurada para oferecer aos detentos condições mais dignas de sobrevivência do que aquelas que tivemos oportunidade de conhcer quando ali exercemos missão de evangelização:cômodos escuros, péssimas condições hidráulicas e elétricas, telhado que na estação invernosa não protegia os detentos da chuva, etc.
Contudo, a fachada até então intocada, sofreu uma grave modificação do acréscimo de portas e um trabalho de pinturas que passa longe e muito longe de uma restauração conforme se pode ver nas fotos desta postagem.
Sobre ela o autor do livro O Município de Santana fala o seguinte:
"(...). Estas duas últimas obras são também importantes; representam um só edifício, mas não tem absolutamente de uma para a outra communicação alguma. - a primeira(a cadeia) voltada para leste, ostenta na sua fachada uma perspectiva elegante: Na parte mais elevada que fica no centro, uma sacada descança sobre os capitéis de duas volumosas columnas que se erguem de um lado e de outro do portão principal acima do qual, em um semi - círculo, lê-se a inscripção - Dr. José Júlio de Albuquerque Barros - alludindo à presidencia deste, à cujo benefício bafejo se deve a sua construcção."
"Um largo corredor com dois portões de ferro, diametralmente oppostos, devide-a em duas partes iguaes: o lado direito contém três prisões distinctas, e o lado esquerdo uma só, destinda a prisões communs; e todas ellas comportões de ferro que abrem para o corredor, e janelas gradeadas que deitão para um pateo encerrado por uma alta muralha, offerecem a precisa segurança e comodidade do infeliz detento."
" A segunda(o quartel), como se vê, corre nos fundos da primeira, serve-lhe de muralha nessa parte; tem a frente Oeste, e divide-se em cinco compartimentos com as necessárias accommodações ao seu fim."
"Uma só calçada rodêa os dois edifícios ao longo da muralha que os une, alargando-se em forma de patamar à frente da Cadeia..."(O Município de Santana, páginas 197 e 198)
Antônio Bezerra, quando por aqui esteve assim relata sua visita à cadeia pública do Município de Santana:
"Visitei a cadeia pública, situada no extremo sul da cidade, quase po detrás da Casa de Caridade."
"É pequena, baixa, mas de excelente construção."
"Destaca-se ao longe por achar-se isolada na planície."
"Examinei os compartimentos, travei conversa com os encarcerados, e por ser a prisão o termômetro do atraso de um povo, lamentei de coração a sorte dos desgraçados que não tiveram os benefícios da instrução." (Antônio Bezerra, notas de Viagem, página 70).
Talvez hoje não se possa dizer algo muito diferente daquilo que afirmava o referido autor naquela época.
Sofrendo com os malefícios que as drogas trazem à cidade assitimos à morte violenta de um agente prisional a meses atrás. Quisera que nela não existissem detentos e que a velha cadeia fosse apenas um sinal de advertência ás futuras gerações de que a violência nada constrói.
VISTA LATERAL DA CADEIA: RUA JOSÉ MARIANO
VISTA LATERAL DA CADEIA: RUA JOSÉ MARIANO
QUARTEL: PLACA INDICATIVA E PLATIBANDA TRABALHADA
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A PONTE DA LAGOA DA CARIDADE OU PONTE DO SÃO JOÃO
FOTO 1: VISTA DA LAGOA DA CARIDADE EM TEMPO DE SECA DO RIO ACARAÚ. NESTE LUGAR ESTÁ, HOJE, A PRAÇA SÃO JOÃO E Á DIREITA ESTÁ A PONTE ONDE SE PODE OBSERVAR OS ARCOS PODE ONDE PASSAVAM AS ÁGUAS DO RIO EM TEMPO DE CHEIA
Testemunha de um tempo em que a cidade tinha apenas dois bairros, a ponte do São João (como é conhecida hoje) tinha a função, na época em que foi construída de ligar os dois bairros tornando possível a travessia por sobre a Lagoa da Caridade nos tempos de cheia do rio Acaraú.
Sobre esta última fala Antônio Bezerra no seu livro Notas de Viagem:
"Na estação invernosa o rio alaga a planície, e deita as águas além dos últimos degraus do mercado da parte ocidental; e então é belo contemplar a multidão de canoas transportando famílias que em doce recreação passeiam por dentro da cidade." (Antônio Bezerra Notas de Viagem página 68)
O autor do livro O Município de Santana, partindo da antiga praça Tenete Coronel Manoel joaquim que mais tarde deu origem à Praça Padre Antõnio Tomás, assim descreve a ponte do São João:
"Sigamos; lá vão as linhas de combustores da iluminação a pár de outra de arvoredos que seguem ao longo das ruas por um e outro lado desta praça. Aqui sob os nossos pés estão três arcadas , as aguas do rio, nas grandes enchentes, passando por ellas, formão deste lado, a esquerda uma vasta bacia, onde à tarde, em canôas, por entre aquellas carnaubeiras, as famílias divertem-se em agradáveis passeios." (O Município de Santana, página 193)
A importância de sua preservação, portanto, está na possibilidade de serem contadas às novas geração estas memórias que tratam do modo como os homens transformam e são transformados pelo meio geográfico urbano.
sábado, 25 de dezembro de 2010
O SOBRADO JABURU
FOTO DO SOBRADO JABURU: EQUIPE DE ROSEMBERG CARIRI; DURANTE AS FILMAGENS DE A SAGA DO GUERREIRO ALUMIOOSO
Resistente às intempéries e à ação humana, está ereto, ainda, no bairro do São João o sobrado do Jaburu, assim chamado graças a um bar que ali funcionou.
Originalmente pertenceu o mesmo ao Tenente Francisco Leôncio de Andrade, bisavô do memorável Padre Arnóbio Andrade, décimo Pároco da Paróquia de Santana do Acaraú. O livro O Município de Santana assim fala do referido sobrado e de seu primitivo dono:
“(...). Aquelle becco vai ter ao rio, e o sobrado da esquina pertence a D. Theodora Geracina de Andrade, viúva do tenente Francisco Leôncio de Andrade. Esse prestimoso cidadão foi o primeiro negociante do seu tempo; o seu movimento comercial elevou-se a oitenta e muitos contos de réis (...)”.
Em um dos quartos da parte de baixo negociou muito tempo o senhor Otalício Gregório, vendendo desde gêneros alimentícios até doses de pinga aos vaqueiros que com ele comerciavam.
Nele foram filmadas algumas cenas do filme A Saga do Guerreiro Alumioso do cineasta Rosemberg Cariri, num tempo em que sua estrutura de riquíssimo estilo ainda não estava tão deteriorada como hoje.
VISTA LATERAL DO SOBRADO JABURU
O que será do velho Jaburu ainda não se sabe. O fato é que tem escapado da sanha louca da modernidade de ricos senhores que com seu poderio monetário e nenhuma instrução para a arte e a beleza transformam estes prédios em outros prontos ao fim do lucro em detrimento só dos seus e não do povo santanense.
VISTA LATERAL DO SOBRADO JABURU
UM DETALHE DO SOBRADO: ESCADA QUE DÁ ACESSO DOS EGUNDO PISO AO QUINTAL
PLATIBANDA DO SOBRADO
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A CASA DE CARIDADE FUNDADA PELO PADRE IBIAPINA
CASA DE CARIDADE DE SANTANA DO ACARAÚ
Embora um número muito reduzido de santanenses saiba, Santana foi contemplada pelas missões do padre José Antônio de Maria Ibiapina, célebre missionário cuja vida está sendo analisada pelo Tribunal das Causas dos Santos em Roma, porém eleito pela devoção popular em vários estados do Nordeste e objeto de estudo em várias instituições acadêmicas nacionais e internacionais.
Conforme o livro O Município de Santana, chegou o padre Ibiapina à Santana no ano de 1862 quando o partido Conservador e o Liberal se enfrentavam em renhida luta que fora extinta pelas palavras cheias de unção do mesmo.
Como em toda missão, cá também construiu o Padre Ibiapina uma Casa de Caridade cuja obra começou em dois de Novembro de 1862 no lugar das ruínas de uma Senhora conhecida por cega Justina, e foi concluída em dois de fevereiro de 1863. Tal casa, como todas fundadas pelo Padre, destinava-se ao abrigo de órfãos, ao cuidado de doentes e ao ensino de ofícios às órfãs que ali eram abrigadas.
À sua inauguração concorreu numeroso público, da própria Vila e de Vilas circunvizinhas, estimado em torno de cinco mil pessoas.
O Livro O Município de Santana assim descreve a fachada da casa de Caridade:
“(...) A sua fachada, de altura regular, aformoseda de parapeito, contem dôse janellas e três portões collocados em symetrica disposição. Ligada a egreja de S. João, representa um só edifício, e todavia se achão inteiramente discriminados. Começando dali estende-se na direção de sul e mede 47 metros até aquella esquina onde termina; mas é preciso advertir que a casa, propriamente dita, não ocupa toda essa extenção: sua frente tem apenas 29 metros comprehendidos entre estes dois cunhaes que a distinguem. Só o portão do centro com aquellas oito janellas – quatro de cada lado -, pretence a casa; os dois lateraes, cada um com duas janellas fingidas deitão para o jardim e aquella que vemos à esquerda do primeiro portão, que comprehendemos no número das fingidas, tem ao interior um aparelho e é destinda a recepção dos expostos. Branca, pois, como a neve, essa fachada que realça pela cor verde de seus portões e gelosias envidraçadas, ostenta uma perspectiva agradável e ao mesmo tempo respeitosa pelo dístico – Casa de Caridade – que se lê entre aquelles seis canos sobre o portão principal. De forma quadrangular, deste lado Ella só nos apresenta um face, as outras três, aliás idênticas, estão do lado opposto. O seu compartimento, as suas disposições internas, mão de obra e asseio, prendem as attenções dos visitantes; mas, antes de entrarmos nos seus detalhes, subamos a calçada e continuemos por Ella o nosso passeio em torno da vasta muralha que a circunda.” (O Município de sant’Anna, página 195, 2º parágrafo)
“Este muro, fingindo frente com um portão entre 18 janellas, mede desta aquella esquina 55 metros de extensão. Encaminhemos nos para lá. Aqui a calçada é bastante elevada pelo declive do terreno; e este muro que se estende ao norte, tendo no centro, entre 16 janellas fingidas, em portão de madeira que se abre para o Jardim, corrresponde as dimensões da fachada de nosso edifício.” (O Município de sant’Anna, página 196, parágrafo 1º)”
O MURO DA ANTIGA CASA DE CARIDADE A ALGUNS ANOS ATRÁS ANTES DE DAR ESPAÇO A VÁRIAS CASAS QUE ALI JÁ FORAM CONSTRÍDAS
Antônio Bezerra em seu livro: “Notas de viagem”, assim descreve a fachada da casa de Caridade quando de sua visita à Santana:
“No extremo oposto, próximo a uma pequena elevação do terreno conhecido por Alto de S. João, está a Casa de Caridade, lindo edifício com 15 portas de frente, de construção elegante(...)”(Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 68)
“Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
Os espaços interiores da Casa de Caridade são assim descritos pelo mesmo livro:
“Esta saleta ladrilhada de pedra, tendo por paredes esses gradis de madeira que a separam dos dois salões lateraes, é destinada à espera dos visitantes. Eis o cordão da sineta que nos deve annunciar; mas antes de fazê-la soar examinemos o que há aqui de curioso. Defronte de nós de um lado e d’outro d’essa porta que dá para o interior da casa, essa saliência de madeira envernisada que vemos, contem em compartimentos quatro vasos para o recebimento das esmolas de cereaes – milho, feijão, arroz e farinha -. Cada vaso no lado superior, sob um vidro, tem a indicação do cereal que lhe convém; e aquella caixinha, alli pregada com segurança, indica pela sua – fenda – a naturesa do óbulo que tem de receber... Forra da esta saleta do lado de cima por toda sua extensão, há um côro, onde a família da casa se reúne para assistir aos actos divinos, que se celebrão no salão da esquerda, no fundo do qual, alem daquella pesada cortina adamascada, está o Altar que por primeiro logar devemos visitar. (O Município de sant’Anna, páginas 201 parágrafo3º )
“(...)comecemos nossa visita pela capella(...). o seu pavimento e tecto são forrados de taboas, a capella começa desta grade”. (O Município de sant’Anna, página 202, parágrafo 3º)
PARTE MODIFICADA DA CASA DE CARIDADE ONDE A MESMA COMUNICAVA-SE COM A IGREJA SÃO JOÃO
“Corramos o cortinado para descobrirmos o altar. Ei-lo. Collocado em posição elevada elle realça pela brancura de sua cor, e ostenta-se magestoso nas molduras com lavores em relevo e frizos dourados que o adornão! É em si bem regular em tamanho esta capella; mas Ella toma maiores proporções nos dias festivos: aquellas duas grades são amovíveis; nesse dias desprendem-se ellas das mollas, e a capella estende-se então até o fundo daquella outra sala. Poucas egrejas na Província offerecem n’este caso, tanto espaço á população.” (O Município de sant’Anna, página 202, parágrafo 4º)
“Aqui, deste lado, a saleta que vemos, com um corêto especial, para a musica, serve de sachristia; atravessemo – la; vamos ver a antiga e primitiva capella da casa. Ei-la; foi n’esta sala, ante aquelles dois singelos altares, que se celebrarão os primeiros actos da religião n’este pio estabelecimento. A saleta que se segue em frente nada tem de curioso, é um quarto para acomodações, e que servia de sachristia à velha capella. Agora por esta porta entre estes dois altares passemos ao interior da casa”. (O Município de sant’Anna, página 203, parágrafo 1º)
Em sua visita à Casa de Caridade Antônio Bezerra descreve desta forma sua visita à capela da mesma:
“Achando –se aberta a porta central, penetrei no estabelecimento.”
“Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
“Logo à entrada, do lado esquerdo, deparou-se – me um rico altar, convenientemente preparado, onde um sacerdote celebrava a missa.” “Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
“Diversos bustos de santos me impressionaram pela perfeição do trabalho, mas sobretudo o que mais atraiu minha atenção foi o retrato à óleo do padre Ibiapina, que pendia da parede lateral.” “Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
Contam os memorialistas de nossa cidade que este retrato á óleo do padre Ibiapina é o que hoje se encontra no museu Dom José e a imagem de Nossa Senhora do Rosário é a que está na Igreja do Rosário em Sobral.
Continuemos com a descrição do Livro o Município de Santana:
“Eis um pateo interessante, um famoso saguão! Alli no centro, rodeada dessa elegante alpendrada, aberta em arcadas que tem por base dose columnas deixando ver, entre ellas e as paredes lateraes que encerrão o edfício, aquelle passeio, espécie de corredor que contornêa todo este recinto, está um cisterna bastante profunda destinada a recolher as águas pluviaes, que correm de todos os lados do tecto, na parte interior da casa. Approximemos – nos della: Bojúda como uma jarra, porem pouco afunilada, com estas bordas salientes que nos chegão à cinta, Ella, como dissemos, recebe as águas por essa seis aberturas que correspondem a outras tantas daquellas columnas, por cada uma das quais desce do tecto, encoberto por esse elevado parapeito um cano que, tocando ao solo, nelle se interna e vai terminar alli”. (O Município de Sant’Anna, página 203, parágrafo2º)
“Nos annos invernosos esta cisterna enche-se; e transbordaria se aquella larga fenda, quase na extremidade das bordas, não proporcionasse franco esgoto às águas excedentes que, chegando a Ella, descem por esse cano especial e vão ter a um poço profundíssimo, de 20 palmos mais ou menos de diâmetro no fundo do jardim. Debaixo dessa alpendrada existem seis cubículos, ourt’ora, segundo a intenção do instituidor, destinados ao abrigo de mulheres convertidas, mas que hoje se prestão a outras commodidades da família da casa em vista da nova ordem estabelecida no Regulamento respectivo que abolio a recepção daquellas. Daqui se vê perfeitamente que este edifício é de forma quadriangular. (O Município de sant’Anna, página 203, parágrafo 3º)
“As linhas da frente, fundo e lados, são parallelas entre si; e o pateo em que nos achamos, que conserva a mesma forma, representa a quarta parte de todo. Esta cisterna está no ponto central; daqui se vê em linha recta, a leste, através daquella sala, o portão do fundo da muralha, a oeste, o portão da frente, e de sul a norte, por entre aquellas seis portas abertas, os lados do jardim que, se estendem até a muralha da frente. Sigamos a leste, mas antes de visitarmos a sala indicada, pouco adiante desse curto corredor, idêntico ao que se segue a saleta de espera onde estivemos, vejamos o que há neste cubículo da esquerda. Eis uma escada.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo 1º)
“Talvez nos seja mais commodo desviarmos-nos por emquanto da direção em que vínhamos; subamos por ella. Aqui começa o soalho do pavimento superior, grande sótão que occupa quase dois lados da casa. Essas janellas deitão para o salão do trabalho das órfãs; e é daqui, debruçadas sobre esse avarandado, que sobresahe no espaço, que ellas na festa do dia 2 de fevereiro, anniversário da installação, observão o movimento do povo e o leilão que em seu benefício alli se faz. Por toda a extensão da sala interior acompanhando essas janellas na direção do norte, segue este corredor.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo2º)
“Demos por vista esta parte, e voltemos ao ponto da nossa entrada aqui.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafos 3º)
“Esse outro corredor prolonga-se na direção de oeste e termina naquella parede que nos separa da capella, mas elle continua à esquerda; vejamos onde vai dar. Nesta parte elle se torna mais espaçoso, e aquella porta que vemos, vai ter ao coreto, onde a família da casa assiste aos actos divinos. Lá está a capella e o salão que lhe fica do lado opposto. Eis a sineta ao toque da qual nos fisemos anunciar à Superiôra. Este sino, de tamanho regular, foi um presente que o Tenente Francisco Leôncio de Andrade fez à casa. Agora retrocedamos: a direita, adiante de nós, está outra escada, desçamos. Esta sala é contígua a que vimos do coreto. Aqui a Superiôra recebe as suas visitas; é fresca e deita porta e janela para o jardim. Continuemos. A sala que se segue é destinada para o refeitório, e aquellas duas portas dão para dois compartimentos – a cosinha e a despensa. – Esta é ao lado sul da casa; estamos defronte da cisterna. Voltemos ao saguão e pela alpendrada, ao ponto d’onde nos desviamos para subir ao sótão. Eis o corredor que já vimos e a sala de que fallamos.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo 4º)
“Nestes dois salões lateraes termina o edfício: o da esquerda, que observamos daquele avarandado, é destinado ao trabalho de costura, rendas, bordados e leitura; o da direita ao de tecidos; e um e outro, rodeados de janelas que deitão para o jardim, só comunicam com este pelo portão em que estamos. Larga calçada circunda o edifício: Ella nesta parte é um ouço elevada; e aquelles degráos, entre esses dois peitoris de engenhosa construcção, favorecem a descida.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 1º)
“Desçamos, pois, ao jardim e, seguindo por esse passeio que o divide em duas partes iguaes, vamos até o portão da muralha para de lá fasermos outras apreciações.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 2º)
“Deste ao portão donde partimos há, a distancia de 26 metros; e daqui, voltando-nos, podemos de um só golpe de vista contemplar todo o jardim.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 3º)
Extinta a associação religiosa fundada pelo padre Ibiapina, o edifício passou à posse da Diocese. Dom José Tupinambá da Frota vendeu a Casa de Caridade aos filhos do senhor João Alfredo de Araújo e a um primo destes: o senhor José Olavo Fonteles que, unidos em sociedade comercial, ali instalaram uma fábrica de processamento de algodão que anos depois faliu.
Comprando todo o edifício dos demais sócios, o senhor José Olavo Fonteles incorporou o mesmo ao seu patrimônio. Pouco a pouco a casa de caridade foi dividida em lotes que, desde aí, foram e são vendidos e alugados e quase nada da magnífica casa de caridade fundada pelo padre Ibiapina existe hoje.
VISTA POSTERIOR DE UM DOS TRECHOS DA ANTIGA CASA DE CARIDADE QUE FOI TRANSFORMADA EM UMA GARAGEM
TÚNEL DE ALVENARIA QUE PASSA POR BAIXO DO TRECHO DA CASA DE CARIDADE QUE FOI TRANSFORMADO EM GARAGEM
Embora um número muito reduzido de santanenses saiba, Santana foi contemplada pelas missões do padre José Antônio de Maria Ibiapina, célebre missionário cuja vida está sendo analisada pelo Tribunal das Causas dos Santos em Roma, porém eleito pela devoção popular em vários estados do Nordeste e objeto de estudo em várias instituições acadêmicas nacionais e internacionais.
Conforme o livro O Município de Santana, chegou o padre Ibiapina à Santana no ano de 1862 quando o partido Conservador e o Liberal se enfrentavam em renhida luta que fora extinta pelas palavras cheias de unção do mesmo.
Como em toda missão, cá também construiu o Padre Ibiapina uma Casa de Caridade cuja obra começou em dois de Novembro de 1862 no lugar das ruínas de uma Senhora conhecida por cega Justina, e foi concluída em dois de fevereiro de 1863. Tal casa, como todas fundadas pelo Padre, destinava-se ao abrigo de órfãos, ao cuidado de doentes e ao ensino de ofícios às órfãs que ali eram abrigadas.
À sua inauguração concorreu numeroso público, da própria Vila e de Vilas circunvizinhas, estimado em torno de cinco mil pessoas.
O Livro O Município de Santana assim descreve a fachada da casa de Caridade:
“(...) A sua fachada, de altura regular, aformoseda de parapeito, contem dôse janellas e três portões collocados em symetrica disposição. Ligada a egreja de S. João, representa um só edifício, e todavia se achão inteiramente discriminados. Começando dali estende-se na direção de sul e mede 47 metros até aquella esquina onde termina; mas é preciso advertir que a casa, propriamente dita, não ocupa toda essa extenção: sua frente tem apenas 29 metros comprehendidos entre estes dois cunhaes que a distinguem. Só o portão do centro com aquellas oito janellas – quatro de cada lado -, pretence a casa; os dois lateraes, cada um com duas janellas fingidas deitão para o jardim e aquella que vemos à esquerda do primeiro portão, que comprehendemos no número das fingidas, tem ao interior um aparelho e é destinda a recepção dos expostos. Branca, pois, como a neve, essa fachada que realça pela cor verde de seus portões e gelosias envidraçadas, ostenta uma perspectiva agradável e ao mesmo tempo respeitosa pelo dístico – Casa de Caridade – que se lê entre aquelles seis canos sobre o portão principal. De forma quadrangular, deste lado Ella só nos apresenta um face, as outras três, aliás idênticas, estão do lado opposto. O seu compartimento, as suas disposições internas, mão de obra e asseio, prendem as attenções dos visitantes; mas, antes de entrarmos nos seus detalhes, subamos a calçada e continuemos por Ella o nosso passeio em torno da vasta muralha que a circunda.” (O Município de sant’Anna, página 195, 2º parágrafo)
“Este muro, fingindo frente com um portão entre 18 janellas, mede desta aquella esquina 55 metros de extensão. Encaminhemos nos para lá. Aqui a calçada é bastante elevada pelo declive do terreno; e este muro que se estende ao norte, tendo no centro, entre 16 janellas fingidas, em portão de madeira que se abre para o Jardim, corrresponde as dimensões da fachada de nosso edifício.” (O Município de sant’Anna, página 196, parágrafo 1º)”
O MURO DA ANTIGA CASA DE CARIDADE A ALGUNS ANOS ATRÁS ANTES DE DAR ESPAÇO A VÁRIAS CASAS QUE ALI JÁ FORAM CONSTRÍDAS
Antônio Bezerra em seu livro: “Notas de viagem”, assim descreve a fachada da casa de Caridade quando de sua visita à Santana:
“No extremo oposto, próximo a uma pequena elevação do terreno conhecido por Alto de S. João, está a Casa de Caridade, lindo edifício com 15 portas de frente, de construção elegante(...)”(Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 68)
“Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
Os espaços interiores da Casa de Caridade são assim descritos pelo mesmo livro:
“Esta saleta ladrilhada de pedra, tendo por paredes esses gradis de madeira que a separam dos dois salões lateraes, é destinada à espera dos visitantes. Eis o cordão da sineta que nos deve annunciar; mas antes de fazê-la soar examinemos o que há aqui de curioso. Defronte de nós de um lado e d’outro d’essa porta que dá para o interior da casa, essa saliência de madeira envernisada que vemos, contem em compartimentos quatro vasos para o recebimento das esmolas de cereaes – milho, feijão, arroz e farinha -. Cada vaso no lado superior, sob um vidro, tem a indicação do cereal que lhe convém; e aquella caixinha, alli pregada com segurança, indica pela sua – fenda – a naturesa do óbulo que tem de receber... Forra da esta saleta do lado de cima por toda sua extensão, há um côro, onde a família da casa se reúne para assistir aos actos divinos, que se celebrão no salão da esquerda, no fundo do qual, alem daquella pesada cortina adamascada, está o Altar que por primeiro logar devemos visitar. (O Município de sant’Anna, páginas 201 parágrafo3º )
“(...)comecemos nossa visita pela capella(...). o seu pavimento e tecto são forrados de taboas, a capella começa desta grade”. (O Município de sant’Anna, página 202, parágrafo 3º)
PARTE MODIFICADA DA CASA DE CARIDADE ONDE A MESMA COMUNICAVA-SE COM A IGREJA SÃO JOÃO
“Corramos o cortinado para descobrirmos o altar. Ei-lo. Collocado em posição elevada elle realça pela brancura de sua cor, e ostenta-se magestoso nas molduras com lavores em relevo e frizos dourados que o adornão! É em si bem regular em tamanho esta capella; mas Ella toma maiores proporções nos dias festivos: aquellas duas grades são amovíveis; nesse dias desprendem-se ellas das mollas, e a capella estende-se então até o fundo daquella outra sala. Poucas egrejas na Província offerecem n’este caso, tanto espaço á população.” (O Município de sant’Anna, página 202, parágrafo 4º)
“Aqui, deste lado, a saleta que vemos, com um corêto especial, para a musica, serve de sachristia; atravessemo – la; vamos ver a antiga e primitiva capella da casa. Ei-la; foi n’esta sala, ante aquelles dois singelos altares, que se celebrarão os primeiros actos da religião n’este pio estabelecimento. A saleta que se segue em frente nada tem de curioso, é um quarto para acomodações, e que servia de sachristia à velha capella. Agora por esta porta entre estes dois altares passemos ao interior da casa”. (O Município de sant’Anna, página 203, parágrafo 1º)
Em sua visita à Casa de Caridade Antônio Bezerra descreve desta forma sua visita à capela da mesma:
“Achando –se aberta a porta central, penetrei no estabelecimento.”
“Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
“Logo à entrada, do lado esquerdo, deparou-se – me um rico altar, convenientemente preparado, onde um sacerdote celebrava a missa.” “Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
“Diversos bustos de santos me impressionaram pela perfeição do trabalho, mas sobretudo o que mais atraiu minha atenção foi o retrato à óleo do padre Ibiapina, que pendia da parede lateral.” “Uma mimosa capela, em cujo cimo monta pequena torre, que se escapa da cornija aberta em dois arcos voltados para cima, forma o ângulo setentrional do edifício e trona mais imponente aquela construção.” (Bezerra, Antônio; Notas de viagem, pág. 69)
Contam os memorialistas de nossa cidade que este retrato á óleo do padre Ibiapina é o que hoje se encontra no museu Dom José e a imagem de Nossa Senhora do Rosário é a que está na Igreja do Rosário em Sobral.
Continuemos com a descrição do Livro o Município de Santana:
“Eis um pateo interessante, um famoso saguão! Alli no centro, rodeada dessa elegante alpendrada, aberta em arcadas que tem por base dose columnas deixando ver, entre ellas e as paredes lateraes que encerrão o edfício, aquelle passeio, espécie de corredor que contornêa todo este recinto, está um cisterna bastante profunda destinada a recolher as águas pluviaes, que correm de todos os lados do tecto, na parte interior da casa. Approximemos – nos della: Bojúda como uma jarra, porem pouco afunilada, com estas bordas salientes que nos chegão à cinta, Ella, como dissemos, recebe as águas por essa seis aberturas que correspondem a outras tantas daquellas columnas, por cada uma das quais desce do tecto, encoberto por esse elevado parapeito um cano que, tocando ao solo, nelle se interna e vai terminar alli”. (O Município de Sant’Anna, página 203, parágrafo2º)
“Nos annos invernosos esta cisterna enche-se; e transbordaria se aquella larga fenda, quase na extremidade das bordas, não proporcionasse franco esgoto às águas excedentes que, chegando a Ella, descem por esse cano especial e vão ter a um poço profundíssimo, de 20 palmos mais ou menos de diâmetro no fundo do jardim. Debaixo dessa alpendrada existem seis cubículos, ourt’ora, segundo a intenção do instituidor, destinados ao abrigo de mulheres convertidas, mas que hoje se prestão a outras commodidades da família da casa em vista da nova ordem estabelecida no Regulamento respectivo que abolio a recepção daquellas. Daqui se vê perfeitamente que este edifício é de forma quadriangular. (O Município de sant’Anna, página 203, parágrafo 3º)
“As linhas da frente, fundo e lados, são parallelas entre si; e o pateo em que nos achamos, que conserva a mesma forma, representa a quarta parte de todo. Esta cisterna está no ponto central; daqui se vê em linha recta, a leste, através daquella sala, o portão do fundo da muralha, a oeste, o portão da frente, e de sul a norte, por entre aquellas seis portas abertas, os lados do jardim que, se estendem até a muralha da frente. Sigamos a leste, mas antes de visitarmos a sala indicada, pouco adiante desse curto corredor, idêntico ao que se segue a saleta de espera onde estivemos, vejamos o que há neste cubículo da esquerda. Eis uma escada.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo 1º)
“Talvez nos seja mais commodo desviarmos-nos por emquanto da direção em que vínhamos; subamos por ella. Aqui começa o soalho do pavimento superior, grande sótão que occupa quase dois lados da casa. Essas janellas deitão para o salão do trabalho das órfãs; e é daqui, debruçadas sobre esse avarandado, que sobresahe no espaço, que ellas na festa do dia 2 de fevereiro, anniversário da installação, observão o movimento do povo e o leilão que em seu benefício alli se faz. Por toda a extensão da sala interior acompanhando essas janellas na direção do norte, segue este corredor.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo2º)
“Demos por vista esta parte, e voltemos ao ponto da nossa entrada aqui.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafos 3º)
“Esse outro corredor prolonga-se na direção de oeste e termina naquella parede que nos separa da capella, mas elle continua à esquerda; vejamos onde vai dar. Nesta parte elle se torna mais espaçoso, e aquella porta que vemos, vai ter ao coreto, onde a família da casa assiste aos actos divinos. Lá está a capella e o salão que lhe fica do lado opposto. Eis a sineta ao toque da qual nos fisemos anunciar à Superiôra. Este sino, de tamanho regular, foi um presente que o Tenente Francisco Leôncio de Andrade fez à casa. Agora retrocedamos: a direita, adiante de nós, está outra escada, desçamos. Esta sala é contígua a que vimos do coreto. Aqui a Superiôra recebe as suas visitas; é fresca e deita porta e janela para o jardim. Continuemos. A sala que se segue é destinada para o refeitório, e aquellas duas portas dão para dois compartimentos – a cosinha e a despensa. – Esta é ao lado sul da casa; estamos defronte da cisterna. Voltemos ao saguão e pela alpendrada, ao ponto d’onde nos desviamos para subir ao sótão. Eis o corredor que já vimos e a sala de que fallamos.” (O Município de sant’Anna, página 204, parágrafo 4º)
“Nestes dois salões lateraes termina o edfício: o da esquerda, que observamos daquele avarandado, é destinado ao trabalho de costura, rendas, bordados e leitura; o da direita ao de tecidos; e um e outro, rodeados de janelas que deitão para o jardim, só comunicam com este pelo portão em que estamos. Larga calçada circunda o edifício: Ella nesta parte é um ouço elevada; e aquelles degráos, entre esses dois peitoris de engenhosa construcção, favorecem a descida.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 1º)
“Desçamos, pois, ao jardim e, seguindo por esse passeio que o divide em duas partes iguaes, vamos até o portão da muralha para de lá fasermos outras apreciações.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 2º)
“Deste ao portão donde partimos há, a distancia de 26 metros; e daqui, voltando-nos, podemos de um só golpe de vista contemplar todo o jardim.” (O Município de sant’Anna, página 205, parágrafo 3º)
Extinta a associação religiosa fundada pelo padre Ibiapina, o edifício passou à posse da Diocese. Dom José Tupinambá da Frota vendeu a Casa de Caridade aos filhos do senhor João Alfredo de Araújo e a um primo destes: o senhor José Olavo Fonteles que, unidos em sociedade comercial, ali instalaram uma fábrica de processamento de algodão que anos depois faliu.
Comprando todo o edifício dos demais sócios, o senhor José Olavo Fonteles incorporou o mesmo ao seu patrimônio. Pouco a pouco a casa de caridade foi dividida em lotes que, desde aí, foram e são vendidos e alugados e quase nada da magnífica casa de caridade fundada pelo padre Ibiapina existe hoje.
VISTA POSTERIOR DE UM DOS TRECHOS DA ANTIGA CASA DE CARIDADE QUE FOI TRANSFORMADA EM UMA GARAGEM
TÚNEL DE ALVENARIA QUE PASSA POR BAIXO DO TRECHO DA CASA DE CARIDADE QUE FOI TRANSFORMADO EM GARAGEM
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Padre Ibiapina Santana do Acaraú Antônio Bezerra
A CAPELA DE SÃO JOÃO
Até as primeiras décadas do século XX Santana possuía apenas dois bairros: o de Santana e o de São João. Tal fato pode ser observado numa planta da cidade da década de 30 deste século reproduzida na época da administração do prefeito Ari Fonteles.
Os dois bairros, ligados pela ponte que permitia travessia, em tempo de cheia do rio, sobre a Lagoa da Caridade, tinham como marcos de distinção a Igreja de São João e a Matriz de Santa Ana.
IGREJA DE SÃO: AO LADO UMA DAS PRIMEIRAS PARTES MODIFICADAS DA CASA DE CARIDADE DO PADRE IBIAPINA
Tal igreja foi erigida pelo padre João Francisco Dias Nogueira, coadjutor do Vigário Padre Francisco Xavier Nogueira seu sobrinho. Tal fato encontra-se narrado no primeiro livro de tombo da Paróquia, bem como a transcrição de uma resolução do governo da Província do Ceará permitindo ao Padre fundador da Capela sepultura na mesma:
À 15 de janeiro de 1859 – o Reverendo coadjutor Padre João Francisco Dias Nogueira assentaria a primeira pedra da Igreja consagrada ao Glorioso São João Baptista, e no dia 15 de junho de 1860 pelas sete horas da manhã, procedeo o reverendo Vigário a benção da dita Igreja com todas as solemnidades e prescrições do Ritual Romano, e no meio de um concurso numeroso de povo, tendo a esse mesmo dia principio as novenas, e no dia 24 a festa, que se celebrou, com solemnidade, ainda n’este lugar não praticada; contudo detalhadamente consta do livro, que nos legou o Reverendo fundador. E, porque os serviços prestados pelo reverendo Dias Nogueira, n’esta edificação, forão relevantes e dignos do maior mericimento, a Assembléa Provincial lhe deo a devida apreciação, e consagrou ao fundador uma grata memória na resolução seguinte:
O Bacharel José Bento da Cunha Figueiredo Junior, Cavalheiro da Ordem de Christo, e prezidente da província do Ceará. Faço saber a todos os seos habitantes, que a Assemblea Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a resolução seguinte.
Artigo Único. É permitido o direito de sepultura perpetua, obtida a licença do ordinário, ao padre João Francisco Dias Nogueira, na capella de São João Baptista, erecta na Freguezia de Sant’Anna do Acaracú, da qual foi elle fundador: revogadas as disposições em contrário.
Mando portanto à todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da prezente resolução pertencer, que a cumprão e a fação cumprir, tão inteiramente, como n’ella se contem. O Secretário da Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Palácio do Governo do Ceará aos 21 de Novembro de 1862. O Secretário da Provincia Sisval Odorico de Moura – registrada no livro competente – Secretaria do Governo do Ceará aos 21 de Novembro de 1862 - Estevão Sabino de Moura.
(Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santana, folhas 8 e 9)
PARTE MODIFICADA DA CASA DE CARIDADE ONDE A MESMA COMUNICAVA-SE COM A IGREJA SÃO JOÃO
O livro o Município de Santana assim descreve a referida Igreja:
“(...). A Egreja foi obra da dedicação do Padre João Francisco dias Nogueira; a construção custou-lhe cerca de seis contos de reis! O frontispício que alli vemos, com quanto elegante, não excede em belleza ao que por elle fora modelado. Despedaçado o primeiro por um raio em 1880, a comissão de socorros fez levantar-lhe aquelle: o seu interior de forma agradável, tem o asseio necessário e a descencia indispensável.” (O Município de sant’Anna, página 194, 1º parágrafo)
“Do campo da egreja, onde por uma grade se separa a capella mor, destinada para o altar, seguem por um e outro lado dois corredores que vão ter a uma saleta no fundo que serve de sachristia; e por cima desta, além do côro principal no logar competente, corre um corêto que dá passagem para quatro tribunas da dita capella.” (O Município de sant’Anna, página 194, 2º parágrafo)
Os dois bairros, ligados pela ponte que permitia travessia, em tempo de cheia do rio, sobre a Lagoa da Caridade, tinham como marcos de distinção a Igreja de São João e a Matriz de Santa Ana.
IGREJA DE SÃO: AO LADO UMA DAS PRIMEIRAS PARTES MODIFICADAS DA CASA DE CARIDADE DO PADRE IBIAPINA
Tal igreja foi erigida pelo padre João Francisco Dias Nogueira, coadjutor do Vigário Padre Francisco Xavier Nogueira seu sobrinho. Tal fato encontra-se narrado no primeiro livro de tombo da Paróquia, bem como a transcrição de uma resolução do governo da Província do Ceará permitindo ao Padre fundador da Capela sepultura na mesma:
À 15 de janeiro de 1859 – o Reverendo coadjutor Padre João Francisco Dias Nogueira assentaria a primeira pedra da Igreja consagrada ao Glorioso São João Baptista, e no dia 15 de junho de 1860 pelas sete horas da manhã, procedeo o reverendo Vigário a benção da dita Igreja com todas as solemnidades e prescrições do Ritual Romano, e no meio de um concurso numeroso de povo, tendo a esse mesmo dia principio as novenas, e no dia 24 a festa, que se celebrou, com solemnidade, ainda n’este lugar não praticada; contudo detalhadamente consta do livro, que nos legou o Reverendo fundador. E, porque os serviços prestados pelo reverendo Dias Nogueira, n’esta edificação, forão relevantes e dignos do maior mericimento, a Assembléa Provincial lhe deo a devida apreciação, e consagrou ao fundador uma grata memória na resolução seguinte:
O Bacharel José Bento da Cunha Figueiredo Junior, Cavalheiro da Ordem de Christo, e prezidente da província do Ceará. Faço saber a todos os seos habitantes, que a Assemblea Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a resolução seguinte.
Artigo Único. É permitido o direito de sepultura perpetua, obtida a licença do ordinário, ao padre João Francisco Dias Nogueira, na capella de São João Baptista, erecta na Freguezia de Sant’Anna do Acaracú, da qual foi elle fundador: revogadas as disposições em contrário.
Mando portanto à todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da prezente resolução pertencer, que a cumprão e a fação cumprir, tão inteiramente, como n’ella se contem. O Secretário da Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Palácio do Governo do Ceará aos 21 de Novembro de 1862. O Secretário da Provincia Sisval Odorico de Moura – registrada no livro competente – Secretaria do Governo do Ceará aos 21 de Novembro de 1862 - Estevão Sabino de Moura.
(Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santana, folhas 8 e 9)
PARTE MODIFICADA DA CASA DE CARIDADE ONDE A MESMA COMUNICAVA-SE COM A IGREJA SÃO JOÃO
O livro o Município de Santana assim descreve a referida Igreja:
“(...). A Egreja foi obra da dedicação do Padre João Francisco dias Nogueira; a construção custou-lhe cerca de seis contos de reis! O frontispício que alli vemos, com quanto elegante, não excede em belleza ao que por elle fora modelado. Despedaçado o primeiro por um raio em 1880, a comissão de socorros fez levantar-lhe aquelle: o seu interior de forma agradável, tem o asseio necessário e a descencia indispensável.” (O Município de sant’Anna, página 194, 1º parágrafo)
“Do campo da egreja, onde por uma grade se separa a capella mor, destinada para o altar, seguem por um e outro lado dois corredores que vão ter a uma saleta no fundo que serve de sachristia; e por cima desta, além do côro principal no logar competente, corre um corêto que dá passagem para quatro tribunas da dita capella.” (O Município de sant’Anna, página 194, 2º parágrafo)
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